Preciso conversar com você

A história das aparições de Belo Horizonte tem início no dia 28 de janeiro de 1992. Durante a madrugada, Raymundo Lopes ouve uma voz delicada e macia, que lhe fala desde uma emanação de luz brilhante e azulada: “Preciso conversar com você”.

28 de janeiro de 1992

Na manhã do dia 28, ao acordar, dei comigo deitado no sofá da sala, e bastante assustado. Tinha ido para lá de madrugada, sem perceber. Eu estava com uma terrível dor de cabeça, e tentava me levantar. Então comecei a me lembrar do que havia acontecido. Era como se fosse um sonho.

Escutei alguém me chamar. Levantei-me, e não encontrei nada nem ninguém. Concluí que era um sonho, e voltei para a cama. Daí a pouco ouvi a mesma voz; parecia vir da sala. Pensei que fosse a empregada, que dorme na cobertura. Abri a porta que separa a sala dos aposentos, e então me surpreendi com a sala toda iluminada por uma estranha luz azulada, brilhante, do tamanho de uma pessoa. E ouvi dela uma voz delicada e macia:

– Raymundo, preciso conversar com você.

Assustado, sem entender coisa nenhuma, mal consegui perguntar:

– Quem está aí?…

E por incrível que pareça, escutei perfeitamente a resposta:

– Por enquanto não é necessário saber quem Eu sou. Precisamos conversar.

– Conversar sobre o quê? – repliquei.

Neste momento, percebi que a luminosidade diminuíra bastante. A voz ia ficando rouca, falava coisas ininteligíveis. De repente tornou-se clara, mas com uma entonação quase masculina. A partir daí o diálogo foi confuso, com frases enigmáticas como:

– Tenho deixado mensagens por toda a Terra… meu corpo é glorioso, poucos o veem… minha face ninguém conhece… eles me viram… o Céu o chama e terá que o atender…

Falou alguma coisa sobre as lágrimas nas imagens da Rosa Mística e sobre o óleo nas flores1, e continuou:

– Eles o consideram um brinquedo… na véspera, eu tinha recebido de presente uma flor… estão fazendo um jogo com você… não deixe que isso aconteça… o papa não tem a espiritualidade ligada às coisas do mundo… vocês desejam o fim do mundo que está dentro de vocês… a espiritualidade de vocês é fraca e erra…

Quando eu fixava muito a luz, ela diminuía. E como continuasse a ouvir coisas incompreensíveis, perguntei:

– Você fala a minha língua?

– Não – ouvi em resposta –, não falo a sua língua, porque o meu espírito não usa mais da boca, mas só do espírito. Eu não uso boca nem garganta material, e você terá que mostrar isso a todos. Eu agora sou luz. Durante séculos tento falar com vocês, para que no final o meu espírito descanse em Deus. Estou agora em regime de trabalho urgente.

Assustado, resolvi não escrever nada sobre isso, mesmo porque não sabia o que iria acontecer posteriormente. Agora tenho certeza de que houve interferência do Diabo. Tenho certeza dessa interferência, porque os contatos posteriores foram completamente diferentes, e aos poucos a paz foi fazendo parte de mim.

 

1 A lacrimação da imagem e outros fenômenos estavam acontecendo durante os encontros do grupo de oração da Rosa Mística, de que Raymundo Lopes participava à época.

 

Referência: LOPES, Raymundo. Preciso conversar com você. In: LEMBI, Francisco. Raymundo Lopes, Daniel: Uma incógnita dos finais dos tempos. Belo Horizonte: Sim, 2010. p. 16.

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