A quarta resposta do deserto

O anjo pede que Raymundo se faça disponível para orar pela Igreja. O grupo missionário marca então uma vigília para o dia indicado. Nos dias seguintes Raymundo tem sonhos em que fica clara a batalha que Satanás trava para que a imagem de Nossa Senhora Aparecida não seja entregue ao papa João Paulo II.

07 de junho de 2004 

No dia 9 de maio, por volta das 16 horas, eu rezava no jardim da minha casa sentado no banco da pracinha de Nossa Senhora, quando uma pequena borboleta azul pousou no meu terço. Achei aquilo interessante e tentei apanhá-la. Ela então voou e pousou delicadamente na cabeça do anjinho de mármore que tenho no jardim. Eu fui atrás, quando uma brisa suave e perfumada passou por mim, levando-me a olhar para trás. Vi então, sentado no muro, perto das gaiolas da arara e dos papagaios, o “menino” que sempre me visita. Quis me aproximar dele, mas com um pequeno salto ele ficou de pé e me disse:

– Fique onde está e não toque em mim.

– Por quê, você dá choque? – respondi, em tom de brincadeira.

Ele também sorriu:

– Ainda compreenderá – e repetiu: – Ainda compreenderá.

– O que deseja? – perguntei.

– O Céu deseja que se faça disponível em junho, para mais uma vez pedir pela Igreja. E desta vez a luta será travada aos pés do altar, onde a doce Senhora, pelo nome de Jesus, dará a resposta ao Dragão Vermelho.

– Não estou entendendo nada!…

– Não precisa entender agora, apenas diga se pode estar disponível em junho.

– Qual dia?

– Na noite que anteceder o número da Besta.

– Não sei que dia é esse…

– Aquele que o ajuda e sempre está ao seu lado saberá.

– Quem é?

– Você saberá.

Dizendo isto, ele se afastou em direção ao portão e foi embora.

Eu fiquei pensando: “O que é isso?… Não estou entendendo nada, mas vou fazer o que o Céu me pede, vou ficar disponível e esperar para saber quem é essa pessoa que sempre me ajuda”.

Passados alguns dias, o Francisco Lembi me lembrou das vezes que ficamos em oração pela Igreja, e perguntou se eu não queria fazer uma vigília na noite do dia 5 para o dia 6 de junho na Capela Magnificat, quando se repetiria aquele 666 do dia 06/06/19951. Eu concordei sem me lembrar daquilo que havia acontecido no dia 9 de maio, e pedi ao Francisco que preparasse a vigília.

Na madrugada do dia 1º de junho, tive um sonho. Me vi diante de um abismo, para o qual um homem tentava me empurrar. Como não conseguia concluir o seu objeto, ele passou a conversar comigo, tentando me convencer a me atirar lá embaixo. Eu então olhei para o Céu e vi a sombra de um homem vindo na minha direção. Ao se aproximar, ele me disse:

– Chegou a hora da resposta do deserto, porque venho, e venho com a doce Senhora.

Eu acordei sobressaltado, e a primeira coisa que me veio à mente foi a figura do Francisco me falando sobre a vigília. Aí percebi com clareza: é o Francisco a pessoa a quem o anjo se referiu, e a vigília pedida é sem sombra de dúvida a noite do dia 5 para o dia 6 de junho, quando estaria se repetindo o número 666 na data 06/06/20042.

Às 21 horas do dia 5 iniciamos a vigília na Capela Magnificat. Trinta minutos após, pedi às pessoas para que, em silêncio, tentassem um contato com Jesus por meia hora. Durante esse tempo, me vi em meio a um burburinho muito grande. As pessoas presentes pediam coisas materiais, preocupadas com situações de igrejas locais, doenças, etc.

Então pedi em pensamento: “Senhor Jesus, o que deseja de mim? Se for da sua vontade, permita que faça silêncio na minha alma, para que eu possa escutá-lo, saber o que o Senhor deseja e como lhe ser útil”.

Em seguida me vi num pequeno salão, onde as paredes me pareciam cobertas por papéis estampados e desbotados pelo tempo. Havia um pequeno altar dourado, com uma toalha branca sobre a mesa. Acima do altar estava uma mulher, que à primeira vista me pareceu ser uma estátua de Nossa Senhora. De costas para o altar tinha um homem que olhava em direção a uma janela. Esse homem, vestido de branco, veio, se ajoelhou diante do altar e começou a falar:

– Grande és tu, Senhora, cheia de graça. Concedo-te dar a última resposta.

A estátua então mexeu-se, e falou, entre outras coisas:

– Eu prometi que voltaria para barrar a vitória da Mulher, e isto será possível se retirar dela o privilégio de ser imaculada.

O homem vestido de branco respondeu:

– Eis que retorno para declarar mais uma vez a vitória da Mulher.

– Mas não imaculada – replicou a estátua.

– Sim, imaculada – afirmou o homem vestido de branco. Pois na condição de imaculada é que o diálogo do deserto terá fim; na condição de imaculada é que será fechada para sempre as portas do Inferno.

A estátua transformou-se então num homem todo vermelho, que desceu do altar e ficou de pé ao lado do homem vestido de branco.

– Quem poderá impedir o meu retorno para destruir a Igreja?

– Aquele a quem a doce Senhora confiou.

– Ele não chegará lá… – argumentou o homem, sorrindo.

– Enquanto perde tempo sufocado pela soberba, a humildade de Daniel neste momento abre caminho para que o poder da Imaculada se faça sentir.

Vi então uma cena interessante. O homem todo vermelho jogou na cabeça do homem vestido de branco o que me pareceu um pano branco, e disse:

– Ainda tenho até o dia 30. Ele não chegará lá.

– Ele chegará, porque está escrito que a doce Senhora vencerá, e o triunfo da doce Senhora é o meu triunfo.

Em seguida me vi novamente na capela. E concluímos as orações pedidas pelo anjo no dia 9 de maio.

 

1 A conta é: 6+6+(1+9+9+5=24; 2+4=6). Neste dia, após ditar a mensagem semanal, Nossa Senhora disse: “Hoje, nesta noite, nesta hora, neste local, inicia-se o triunfo do meu Coração Imaculado”.

2 A conta é 6+6+(2+4=6).

 

Referência: LOPES, Raymundo. A quarta resposta do deserto. In: LEMBI, Francisco. O Terceiro Segredo: A Vinda de Jesus. Belo Horizonte: Magnificat, 2005. p. 96.

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