Visão da Igreja

A OBRA MISSIONÁRIA E A IGREJA

A Obra Missionária formou-se através das instruções dadas ao longo dos anos por Nossa Senhora nas aparições de Belo Horizonte. No dia 4 de junho de 1993, Maria Santíssima ditou a Raymundo Lopes a Carta aos Missionários, que contém diretrizes básicas para a conduta dos Missionários do Coração Imaculado. Entre outras orientações, lê-se na Carta:

“Tenham fé em Deus e, unidos à Igreja de meu filho Jesus, em completa obediência às doutrinas estabelecidas, meu exército caminhará triunfante, sem receio de derrota, porque é chegado o momento decisivo de uma tomada de consciência que norteie a humanidade rumo ao encontro definitivo com o Céu e dê um basta à violência que envolve toda a terra”.

A Virgem Maria é a Mãe da Igreja. A Obra Missionária, portanto, “em completa obediência às doutrinas estabelecidas”, reconhece que o depósito da fé reunido na Tradição da Igreja Católica é a luz da Verdade que ilumina os povos. Os Missionários do Coração Imaculado professam a fé de que a salvação das almas, o “encontro definitivo com o Céu”, nas palavras da Carta aos Missionários, acontece no Corpo Místico de Cristo que é a Igreja. Esse é o ensinamento do Catecismo da Igreja Católica, bem resumido nos números 2030 e 2031:

É em Igreja, em comunhão com todos os batizados, que o cristão realiza sua vocação. Da Igreja recebe a palavra de Deus, que contém os ensinamentos da “lei de Cristo”. Da Igreja recebe a graça dos sacramentos, que o sustenta “no caminho”. Da Igreja aprende o exemplo da santidade; reconhece a figura e a fonte (da Igreja) em Maria, a Virgem Santíssima; discerne-a no testemunho autêntico daqueles que a vivem, descobre-a na tradição espiritual e na longa história dos santos que o precederam e que a Liturgia celebra no ritmo do Santoral.

A vida moral é um culto espiritual. “Oferecemos nossos corpos como hóstia viva, santa e agradável a Deus”, no seio do corpo de Cristo que formamos, e em comunhão com a oferta de sua Eucaristia. Na Liturgia e na celebração dos sacramentos, oração e doutrina se conjugam com a graça de Cristo, para iluminar e alimentar o agir cristão. Como o conjunto da vida cristã, da mesma forma a vida moral encontra sua fonte e seu ponto culminante no sacrifício eucarístico.

A Obra Missionária é de fato um instrumento da Santíssima Virgem para produzir frutos de fé e conversão na Igreja de Cristo e para a Igreja de Cristo. “Tragam almas ao Céu!”, foi o apelo que Nossa Senhora deixou na Carta e que os Missionários desejam atender com o coração sincero e obediente.

Dito isso, é preciso reconhecer que a relação da Igreja Católica com as aparições de Nossa Senhora sempre foi conturbada, mesmo quando se trata das aparições mais populares e geralmente reconhecidas por fidedignas, como Lourdes e Fátima. São sempre histórias repletas de resistências e aproximações, de perseguições cruéis e assentimentos fervorosos. Neste contexto, as aparições de Belo Horizonte, que aliás continuam as de Fátima, não são uma exceção nestes mais de vinte anos de dores e alegrias.

Na história de aproximação entre a Obra Missionária e a Igreja, tem destaque a licença dada pelo Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, para que se conserve o Santíssimo Sacramento na Capela Magnificat, bem como a nomeação, por um período de experiência, de um Diretor Espiritual para os Missionários do Coração Imaculado, com o fim de ensejar uma eventual aprovação oficial da Arquidiocese.

Licença Dom Walmor

Além disso, Raymundo Lopes possui permissão para conduzir a reza do Terço e comentar o Evangelho na Basílica de Lourdes, um dos principais templos de Belo Horizonte. Aos domingos, a Capela Magnificat, casa espiritual dos Missionários, abriga a celebração da Santa Missa, atualmente presidida pelo Pe Domingos Sávio de Matos.

Importa ressaltar ainda os vários encontros entre Raymundo Lopes e o Pe René Laurentin, teólogo francês e especialista em mariologia de renome internacional. Os estudos e impressões do Pe René sobre Raymundo Lopes e as aparições de Belo Horizonte renderam artigos na revista Chrétiens Magazine e um verbete no seu dicionário sobre as aparições de Nossa Senhora ao redor do mundo, Dictionnaire des “Apparitions” de la Vierge Marie, escrito em parceria com Patrick Sbalchiero. Algumas das impressões do Pe René Laurentin estão traduzidas no livro Da aduana ao Terceiro Céu: A aventura mística de Raymundo Lopes, de Olivo Cesca:

“As aparições são verificáveis apenas de maneira provável. Jamais constituem dogma. Por outro lado, não quero usurpar o julgamento do bispo do lugar, que tem muitas reservas. Quanto a mim, quero deixar claro que só publico informações nas quais encontro sinceridade, coerência e nenhum erro patente. Este é o caso de Raymundo. Ele me faz pensar em Natanael, de quem Jesus dizia: ‘Eis um homem sem duplicidade’ (Jo 1,47). Ainda não pude estudar suas mensagens. Mas o que me chama a atenção é a sua conversão profunda. Este homem, que levava uma vida fácil e agradável, entrou numa vida mais austera: oração profunda e doação de si mesmo. Pude testemunhar isto durante as Missas que celebrei para ele e seus amigos. Sua modéstia, sua abertura de espírito e sua serenidade na rude prova que foi o nascimento de uma filhinha deficiente denotam um abandono total à Providência. Seu confessor, que concelebrou comigo, me edificou. Os frutos são bons e parecem numerosos, ainda que este apostolado da oração nem sempre tenha lugar nas pastorais de conjunto, mais centradas no social e no cultural”.

René Ray1

“Esta vez encontrei um Raymundo amadurecido, mais profundo. Desde a primeira vez que nos vimos, simpatizei com sua sociabilidade e finura brasileira, sua transparência e seu humor, sua maneira objetiva e concreta de apresentar cada coisa como ele a viveu, sem exaltação nem preocupação de realização de espécie alguma: o puro testemunho de um homem sincero”.

“Confesso que fiquei muito impressionado com a resposta e principalmente com sua expressão límpida, sorridente, descontraída: a alegria perfeita de Francisco de Assis. Raymundo me parece ter ido bem longe na perfeição do amor, com toda a pureza e nuances que sabe colocar nele um brasileiro”.

“Eu fico impressionado com a paz profunda que ele encontrou, seu equilíbrio e sua expressão de alegria simples. Seu abandono a Deus e sua confiança. Ele é dessas pessoas frente às quais eu me sinto bem pequeno, porque a presença de Deus enche verdadeiramente sua vida, muito profundamente e com transparência ao mesmo tempo”.

Por fim, citamos o Decreto que concede liberdade aos Missionários do Coração Imaculado para o trabalho humilde e sincero na busca de compartilhar com toda a Igreja de Cristo as revelações e as graças abundantes de que tanto se enriquecem. A 15 de novembro de 1966, o papa Paulo VI assinou o Decreto da Congregação para a Doutrina da Fé publicado nas Atas da Santa Sé, volume 58, página 1156, onde se lê:

Todos os escritos referentes a revelações privadas (aparições, visões, locuções interiores, milagres, profecias, etc.) podem ser publicados e lidos pelos fiéis, sem licença prévia e expressa das autoridades eclesiásticas.