Por que os Bispos devem condenar a perigosa ponte do padre Martin?

A crise na Igreja hoje está acelerando a uma velocidade surpreendente, mesmo para os padrões pós-conciliares. Em nenhum lugar isso é mais óbvio que na atual mudança de como a Igreja Católica trata a homossexualidade.

Brian Williams.

OnePeterFive, 14 de junho de 2017.

[https://onepeterfive.com/bishops-condemn-fr-martins-dangerous-bridge/].

Tradução. Bruno Braga.

A crise na Igreja hoje está acelerando a uma velocidade surpreendente, mesmo para os padrões pós-conciliares. Em nenhum lugar isso é mais óbvio que na atual mudança de como a Igreja Católica trata a homossexualidade. A eleição do Papa Francisco, há quatro anos, os sínodos subsequentes sobre a família, e as várias promoções estratégicas na hierarquia, levaram a um momento decisivo nos 2.000 anos de história da Igreja.

No final deste mês, a Harper Collins publicará o último livro do padre jesuíta James Martin, editor (“editor at large”) da America Magazine. Martin também é conhecido por sua grande presença nas redes sociais (mais de 100.000 seguidores no Twitter e mais de meio milhão no Facebook), bem como por suas aparições no Colbert Report do canal Comedy Central, e por seu trabalho consultivo no filme recente de Martin Scorsese, Silence. Ele foi recentemente marcado pelo Papa Francisco para se juntar ao dicastério da Secretaria de Comunicações, em Roma, como consultor sobre os meios de evangelizar o mundo na era digital.

Aqui está o problema, e ele é conhecido por todo mundo na Igreja, mas infelizmente muitas vezes é perdoado ou arquivado: o padre James Martin tornou-se um ativista vocal para os “católicos LGBT”, chegando a receber prêmios de grupos dissidentes como o New Ways Ministry (que apoiou abertamente o casamento entre pessoas do mesmo sexo e pediu para que a Igreja evolua nessa questão).

O padre Martin com frequência coloca artigos e citações nas redes sociais em apoio ao ativismo LGBT e aos seus pontos de discussão somente para receber aplausos de seus seguidores. Quando a doutrina é distorcida pelos mesmos seguidores, ou quando eles endossam atos homossexuais como normal e sagrado, o padre Martin não os corrige. Que ele semeia a confusão, é evidente, basta examinar por poucos minutos suas contas nas redes sociais.

No entanto, o padre James Martin, de várias formas, é uma representação perfeita da Igreja contemporânea. Ele é um cartaz pós-conciliar infantil. Ele é a encarnação da nova Igreja de Francisco, na qual o acompanhamento, o encontro e o diálogo (“construindo pontes”) têm lugar privilegiado sobre palavras desatualizadas como pecado, arrependimento, conversão, graça, julgamento, Céu ou Inferno.

É preciso apenas olhar para as aprovações dadas ao seu livro que será lançado em breve, Building a Bridge (tradução livre: “Construindo uma ponte”) para perceber onde estamos hoje. Estamos vivendo uma das maiores crises na história da Igreja.

Não um, mas dois Cardeais recém-promovidos endossaram o livro do padre Martin. O Cardeal Kevin Farrell, que o Papa Francisco nomeou como Prefeito do Dicastério para Leigos, Família e Vida, escreve:

“Um livro bem-vindo e necessário que irá ajudar Bispos, padres, associados pastorais e líderes de toda a Igreja a conduzir a comunidade LGBT com mais compaixão. Também ajudará os católicos LGBT a se sentirem mais em casa no que é, afinal, a sua Igreja”.

O Cardeal Joseph Tobin, de Newark, Nova Jersey, diz:

“Em muitas partes da nossa Igreja, as pessoas LGBT têm se sentido indesejadas, excluídas, e até envergonhadas. O padre Martin é corajoso, profético, e o novo livro inspirador marca um passo essencial no convite dos líderes da Igreja para servir com mais compaixão e lembrar os católicos LGBT que eles são uma parte da nossa Igreja como qualquer outro católico”.

O problemático e progressista Bispo de San Diego, Robert McElroy, nomeado pelo Papa Francisco, escreve:

“O Evangelho exige que os católicos LGBT devem ser autenticamente amados e conservados na vida da Igreja. Eles não são. O padre Martin nos provê com a linguagem, perspectiva e senso de urgência para substituir a cultura da alienação pela cultura da inclusão misericordiosa”.

Entre os apoios desses prelados, encontramos a Irmã Jeannine Gramick, do mencionado New Ways Ministry:

“O padre Martin mostra como o Rosário e a bandeira do arco-íris podem pacificamente se encontrar. Uma leitura obrigatória”.

Por que o New Ways Ministry convidaria o padre Martin para falar na cerimônia do seu prêmio Bridge Building, e por que a Irmã Gramick seria convidada a endossar o seu novo livro? Afinal, não procuram acompanhamento, mas aceitação – não de si mesmos – mas de seu estilo de vida.

É por isso que nós, leigos, precisamos dos nossos Bispos e padres – aqueles que ainda conservam a verdade do Evangelho e a doutrina católica – para condenar a ponte do padre Martin e um crescente número de Bispos e Cardeais. A ponte que está sendo construída não é projetada para o arrependimento, para a conversão e a santidade. Não é uma ponte construída para levar almas para o Céu. Na verdade, a linguagem inteira deste atual movimento é completamente vazia do sobrenatural. É uma linguagem terapêutica focada somente em um fim temporal: aceitação. É recrutamento para a cultura esquerdista em vez de proclamação da verdade do Evangelho.

O acompanhamento e o encontro propostos, essa ponte em construção, não significa tirar almas do pecado e conduzi-las a uma vida de graça, mas busca a conversão da Igreja. Espera que a Igreja evolua neste tema. Poucos no movimento se importam se a doutrina pode ou não mudar (não pode). A evolução pastoral cumpre o seu trabalho para eles. Pelo menos por enquanto.

Em comparação, olhe para o apostolado internacional Courage, que procura ajudar pessoas em luta contra a atração pelo mesmo sexo. Do seu site [1]:

“Pessoas com desejos homossexuais sempre estiveram entre nós; contudo, até um tempo recente, houve pouca divulgação formal da Igreja no modo como apoiar grupos ou informação para tais pessoas. A maioria foi deixada a trabalhar o seu caminho por conta própria. Como resultado, eles se viram ouvindo e aceitando a perspectiva da sociedade secular e optando por agir com os seus desejos do mesmo sexo”.

Concluindo sua proposta, o Courage nota:

“Ao ajudar os indivíduos a ganharem uma maior compreensão e apreciação dos ensinamentos da Igreja, especialmente no âmbito da castidade, o Courage estende o convite da Igreja a uma vida de paz e graça. Na vida casta encontra-se a paz e a graça para crescer na maturidade cristã”.

Aqui está a razão pela qual um apostolado como o Courage não receberá apoio público dos Cardeais e Bispos citados acima, ou do padre James Martin; começa com o entendimento claramente declarado de que o ato homossexual, como o sexo pré-marital, ou o adultério, ou qualquer outro pecado da carne, deve ser vencido. O seu acompanhamento não vem com o custo de semear confusão ou com um apoio tácito de uma continuação do estilo de vida homossexual.

O que o Courage tem que o incorreto novo movimento não tem é um profundo componente espiritual. Esta é a sua ponte, projetada para levar os homossexuais ativos de volta a uma vida de graça:

  1. Vida casta, viver de acordo com o ensinamento da Igreja Católica a respeito da homossexualidade (Castidade);
  2. Dedicar a Cristo nossas vidas como um todo através do serviço aos outros, da leitura espiritual, oração, meditação, direção espiritual individual, frequência na Missa e recepção frequente dos Sacramentos da Reconciliação e da Santa Eucaristia (Oração e Dedicação);
  3. Promover um espírito de companheirismo com o qual possamos compartilhar uns com os outros os nossos pensamentos e experiências e, assim, garantir que ninguém enfrentará os problemas da homossexualidade sozinho (Companheirismo);
  4. Estar ciente da verdade de que amizades castas são possíveis e necessárias em uma vida cristã casta; e encorajar uns aos outros a formar e manter essas amizades (Apoio);
  5. Ter uma vida que possa servir como bom exemplo para os outros (Bom exemplo / Modelo).

Outra razão pela qual essa nova ponte que está sendo construída é perigosa e deve ser condenada: ela é parte de um movimento em curso para cancelar a linguagem do Catecismo da Igreja Católica relacionada à atração pelo mesmo sexo. Infelizmente, isso está de acordo com a mensagem dada atualmente por Roma. No entanto, o Catecismo instrui [2]:

“A homossexualidade designa as relações entre homens ou mulheres, que experimentam uma atracção sexual exclusiva ou predominante para pessoas do mesmo sexo. Tem-se revestido de formas muito variadas, através dos séculos e das culturas. A sua génese psíquica continua em grande parte por explicar. Apoiando-se na Sagrada Escritura, que os apresenta como depravações graves, a Tradição sempre declarou que ‘os actos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados’. São contrários à lei natural, fecham o acto sexual ao dom da vida, não procedem duma verdadeira complementaridade afectiva sexual, não podem, em caso algum, ser aprovados” (CIC 2357).

A gênese do livro do padre James Martin foi um artigo da America Magazine, intitulado Simply Loving [3], e o seu discurso no evento do New Ways Ministry, em outubro de 2016 [4]. Ambos fornecem a estratégia aplicada de não enfatizar e de confundir o ensinamento da Igreja sobre a sexualidade humana. Podemos decompor esta ponte defeituosa em três componentes:

A ausência de Conversão. Diferentemente do apostolado do Courage, em nenhum momento dessa estratégia são discutidos o arrependimento ou a conversão. Em vez disso, o foco está nos objetivos da linguagem excessivamente terapêutica e afeminada do “respeito, compaixão e sensibilidade”. O padre Martin observa que isso vem diretamente do parágrafo 2358 do Catecismo. Porém, quando separado da linguagem do parágrafo acima, o contexto e o equilíbrio são completamente perdidos. Intencionalmente. O autêntico acompanhamento católico requer que incluamos a linguagem do pecado e da graça, do julgamento e da misericórdia. Qualquer coisa diferente disso é dar aos nossos irmãos e irmãs lutadores uma falsa compaixão ou, pior, a afirmação do seu erro.

A linguagem secular da esquerda LGBT. O padre Martin declara que as pessoas têm o direito de se nomearem. Ele diz à sua audiência na cerimônia do New Ways:

“Nomes são importantes. Então, os líderes da Igreja são convidados a estarem atentos no modo como nomeiam a comunidade L.G.B.T. e a enterrarem frases como ‘afligido com a atração pelo mesmo sexo’, que nenhuma pessoa L.G.B.T. que eu conheço utiliza, e até ‘pessoa homossexual’, que parece excessivamente clínica para muitos… Estou dizendo que as pessoas têm um direito de se nomearem. Utilizar esses nomes é parte do respeito”.

No ambiente atual, onde a auto-definição cresceu para incluir fluidez de gênero e transgenerismo, as palavras do padre Martin são estranhamente semelhantes às da esquerda sexual. E mais, a atual designação “LGBT” para um grupo de pessoas é uma construção da Esquerda nos anos 1990. É uma identificação com um conjunto de crenças e uma agenda, baseada na aprovação e promoção da homossexualidade como um comportamento normal. E isso nos leva ao terceiro e último objetivo estratégico…

A despersonalização do católico com atração pelo mesmo sexo. O que o apostolado do Courage faz tão bem, e o que a religião católica sempre instruiu, é o reconhecimento da dignidade do indivíduo. O padre Martin e os Bispos que o apoiam também afirmam isso. O problema, no entanto, é que o rótulo LGBT e o movimento que eles resolveram abraçar fazem justamente o contrário. O indivíduo fica em segundo plano para o grupo e o comportamento. O católico com atração pelo mesmo sexo é definido pela sua sexualidade e por sua identidade política.

É interessante notar que o próprio padre Martin reconheceu isso durante o seu discurso no New Ways Ministry, embora a ironia parece ter sido perdida nele:

“Nisso, como em todas as coisas, Jesus é o nosso modelo. Quando Jesus encontrava pessoas pelas margens, ele não via uma categoria, mas uma pessoa”.

Porém, este não é o modelo que ele está seguindo.

O que deve ser feito agora é Bispos fiéis, sacerdotes e leigos abertamente se oporem a essa falsa misericórdia proposta por uma ponte defeituosa.

Os Bispos são a autoridade local em suas dioceses. Eles podem impedir qualquer padre ou Bispo de falar em suas paróquias e em conferências autorizadas. Isso é o que têm feito com o Bispo auxiliar aposentado Thomas Gumbleton, de Detroit, que no passado frequentou os mesmos eventos do New Ways Ministry.

O padre James Martin estará promovendo intensamente o seu novo livro nas próximas semanas. Ele provavelmente será convidado para falar em algumas paróquias ou na rádio católica local. Nossos Bispos e sacerdotes, e os leigos com uma plataforma para comunicar a mensagem, devem ajudar a impedir mais confusão.

Ninguém está mais ameaçado por essa perigosa ponte que aqueles irmãos e irmãs com atração pelo mesmo sexo. Que possamos ver mais sacerdotes e prelados conduzindo-os a um apostolado como o do Courage, e longe daqueles que procurariam “acompanhá-los” direto no penhasco.

(*) Originalmente publicado no LiturgyGuy.com [5]. A publicação foi atualizada.

NOTAS.

[1]. Cf. [https://couragerc.org/courage/about/].

[2]. Cf. [http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p3s2cap2_2196-2557_po.html].

[3]. Cf. [https://www.americamagazine.org/issue/simply-loving].

[4]. Cf. [https://newwaysministryblog.wordpress.com/a-two-way-bridge-by-fr-james-martin-s-j/].

[5]. Cf. [https://liturgyguy.com/2017/05/07/why-bishops-should-condemn-fr-martins-dangerous-bridge/].

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