Continua a perseguição religiosa na China.

Como previsto, o acordo “secreto” entre o Vaticano e a China não encerrou a perseguição comunista contra a Igreja. O Bispo de Wenzhou foi sequestrado pela polícia chinesa e submetido ao isolamento e à doutrinação por duas semanas.

 

Infovaticana, 20 de novembro de 2018.

[https://infovaticana.com/2018/11/20/continua-la-persecucion-religiosa-en-china/].

Tradução. Bruno Braga.

 

(Corrispondenza Romana [1]). China: sempre pior. A perseguição continua, e de forma até mais violenta de uns tempos para cá. Tal como foi previsto, o acordo provisório “secreto” com a Santa Sé não parece ter produzido nenhum efeito positivo. E isso é fato. É possível fingir que não o está vendo, mas ele permanece como tal. E lamentavelmente é confirmado pelas palavras do Cardeal Joseph Zen Ze-Kiun que, comentando o acordo, o definiu como “uma obra prima de criatividade em não dizer nada com tantas palavras”.

Demonstra o tratamento reservado ao Monsenhor Pietro Shao Zhumin, de 55 anos, Bispo de Wenzhou, reconhecido como tal por Roma, mas não por Pequim. Na última sexta-feira, ele foi sequestrado pela polícia para ser submetido ao isolamento e à doutrinação por duas semanas. Talvez mais. Na última vez, em maio do ano passado, precisou esperar setes meses para ser liberado pelas autoridades. É a quinta vez que ele é sequestrado, considerando apenas os dois últimos anos. Querem que se registre junto ao governo a sua adesão à Associação Patriótica, contra a qual ele sempre opôs um claro e forte repúdio.

Em sua Diocese, situada na província de Zhejiang, a comunidade oficial e a subterrânea foram unificadas: aproximadamente 130 mil fiéis, dos quais 80 mil pertencem à segunda comunidade. Mas aos “sacerdotes” oficiais, na Oitava de Finados, foi absolutamente proibido render homenagem aos túmulos dos sacerdotes e Bispos da Igreja subterrânea. Aos menores de 18 anos é proibido participar da Santa Missa dominical e do catecismo. A todos é proibido atentar contra a “independência” da Igreja.

Os fiéis chineses pediram orações aos católicos de todo o mundo pelo Mons. Zhumin. E não só isso. Após a destruição de dois santuários dedicados a Maria Santíssima – o de Nossa Senhora das Sete Dores, em Dongergou, e o de Nossa Senhora da Beatitude, em Anlong -, nos últimos dias, outros quatro sacerdotes “subterrâneos” (dois da Diocese de Xiwanzi, e dois da Diocese de Xuanhua) foram detidos pela Polícia comunista por se negarem a se inscrever na Associação Patriótica, organismo cuja finalidade há poucos anos, em 2007, foi declarada “incompatível com a Doutrina Católica” por Bento XVI, na sua “Carta aos Bispos, presbíteros, pessoas consagradas e fiéis leigos da Igreja Católica na República Popular da China” (n. 7).

Imediatamente após a prisão, esses sacerdotes também foram submetidos a um período forçado de “doutrinação e isolamento” para obrigá-los a aderir à política religiosa levada a cabo pelo governo comunista, apressado em esclarecer que o acordo com o Vaticano de forma alguma prejudica a independência da Igreja chinesa, nem isenta os sacerdotes da obrigação de se inscreverem na Associação Patriótica, órgão do Partido Comunista Chinês. Sempre críticas são também as condições nas quais os fiéis católicos são obrigados a atuar: no dia primeiro de novembro, outra cruz, a enésima, foi destruída – a da igreja de Xangai, em Henan, posta sob custódia e vetada como lugar de culto. A igreja oficial bloqueou a atividade da subterrânea com o propósito único de submeter toda expressão religiosa à ideologia comunista dominante.

Então, vale ainda mais o convite do Cardeal Zen para os Bispos e sacerdotes “clandestinos” da China, em um comentário publicado pelo New York Times: “Não comecem uma revolução. Expulsaram vocês da igreja? Não podem mais oficiar? Vão para as suas casas e rezem com as suas famílias. Esperem tempos melhores. Voltem para as catacumbas. O comunismo não é eterno”. Graças a Deus.

REFERÊNCIAS.

[1]. Cf. [https://es.corrispondenzaromana.it/en-china-la-iglesia-siempre-mas-perseguida-desaparecio-monsenor-zhumin/].