O método da anti-Igreja

Germán Mazuelo-Leytón aborda a incompatibilidade da fé católica com a análise marxista da realidade. A Teologia da Libertação politiza a fé e elimina a dimensão transcendental da salvação cristã.

Germán Mazuelo-Leytón.

Adelante la Fé,  07 de agosto de 2018.

[https://adelantelafe.com/el-metodo-de-la-anti-iglesia/].

Tradução. Bruno Braga.

 

III. O método marxista não analisa a realidade, não crê nela, mas a fabrica e impõe.

A análise marxista da realidade é – como explica o padre Miguel Poradowski – uma forma de estudar a realidade sócio-econômico-política introduzida por Marx.

No último meio século, esse método foi a alma mater de vários ambientes eclesiais, sobretudo os sensíveis aos problemas sociais, sob o pretexto de que tal método é o único método científico.

No entanto, o documento do Episcopado Latino-americano de Puebla (1978) alerta sobre essa forma de elaborar a ação apostólica da Igreja:

“Cumpre salientar aqui o risco de ideologização a que se expõe a reflexão teológica, quando se realiza partindo de uma práxis que recorre à análise marxista. Suas consequências são a total politização da existência cristã, a dissolução da linguagem da fé na das ciências sociais e o esvaziamento da dimensão transcendental da salvação cristã” [1].

Os ideólogos da libertação aderem ao marxismo em termos de análise social, possível ciência da história, método de interpretação histórica da sociedade, ciência social. Gustavo Gutiérrez valoriza o materialismo histórico como método, mesmo que muitas de suas explicações estejam ligadas a ele como doutrina.

A análise marxista, entre outros aspectos, não aceita a verdade metafísica, pois o materialismo dialético admite somente as verdades do momento, o que é, na verdade, a negação da verdade metafísica. O materialismo dialético sustenta que tudo muda, está em permanente movimento, e não há pois verdade metafísica. O cristão, ao contrário, como os filósofos antigos, está preocupado com a verdade absoluta, metafísica. O marxismo elimina a verdade, negando a possibilidade de sua existência: admite apenas as verdades do momento, mutáveis como tudo.

O problema da verdade, quando passamos da metafísica para a teologia, torna-se mais sério. Cristo disse: veritas liberabit vos – “a verdade vos libertará”. Somente na medida em que de forma honesta, e em tudo e sempre, buscamos a verdade, é que nos aproximamos da liberdade.

São esses marxistas que querem se passar por cristãos para poderem, assim, se servirem da Igreja, instrumentalizando-a a favor da Revolução.

A análise marxista é mentira, pois nega a existência da verdade. E as suas “verdades” dogmáticas devem ser aceitas com os olhos fechados, com fé laica, embora sejam puras suposições gratuitas [2].

Toda a formulação é falsa. A realidade é Deus, a Palavra Divina, Jesus Cristo. O mundo visível é indescritivelmente efêmero, contingente, falseado, alucinante, irreal. No meio secular, as pessoais, ideias e coisas são manipuladas e deformadas até um limite que beira a aniquilação, o nada.

Mas, não se deve partir dessas inquietudes e desejos, pois no mundo secular não só estão falseadas as respostas dos problemas, mas a problemática humana mesma está completamente falseada, e resta ignorada, disfarçada, encoberta. É isso precisamente o que produz confusão, engano, inversão na hierarquia real dos valores, isto é, o que produz nos homens uma obscuridade mais ou menos completa [3].

NOTAS.

[1] PUEBLA, 545

[2] PORADOWKSKI, P. Miguel. Análise marxista e metafísica .

[3] IRABURU, Pe. José María. Sacralidade e secularização .