A Igreja militante e seus traços combativos essenciais.

Adelante la Fe, 22 de maio de 2018.

Mons. Athanasius Schneider.

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Tradução. Bruno Braga.

 

Se não há batalha, não há Cristandade. Se não há batalha, não há verdadeira Igreja de Deus, não há verdadeira Igreja Católica. O Concílio Vaticano II ensina:

“Um duro combate contra os poderes das trevas atravessa, com efeito, toda a história humana; começou no princípio do mundo e, segundo a palavra do Senhor, durará até o último dia. Inserido nesta luta, o homem deve combater constantemente se deseja ser fiel ao bem; e só com grandes esforços e a ajuda da graça de Deus conseguirá realizar a sua própria unidade” (Gaudium et spes, 37). Esta situação dramática do mundo que “jaz sob o poder do maligno” (1ª Jn. 5, 19; cf. Pe. 5, 8) faz da vida do homem um combate (Catecismo da Igreja Católica, 409).

A Palavra de Deus nos ensina: “Combate o bom combate; conquista a vida eterna para a qual foste chamado” (1Tim. 6, 12). A vida cristã é certamente luta. São Paulo escreveu que lutamos contra as forças das trevas: “Para nós a luta não é contra o sangue e a carne, mas contra os principados e potestades, contra os poderes deste mundo tenebroso, contra os espíritos malignos espalhados nos ares (Ef. 6, 12).

Santo Tomás de Aquino explica o significado que têm expressões bíblicas como mundo ou este presente século mau. Nosso Senhor consola os seus discípulos com estas palavras, apresentando o exemplo de alguém que sofre perseguição: “Se o mundo vos odeia, sabei que me odiou a Mim antes que a vós” (Jo. 15, 18). Nosso Senhor também previu que seriam odiados: “Sereis odiados por todos os povos por causa do meu nome” (Mt. 24, 9). “Bem-aventurados sereis quando os homens vos odiarem” (Lc. 6, 22). Pensar nisso dá ao justo consolo para que suporte bravamente as perseguições. Para Santo Agostinho, os membros do corpo não devem se considerar superiores à Cabeça e nem se negarem a ser parte do Corpo por não estarem dispostos a suportar junto com a Cabeça o ódio do mundo (Tract. in Io., 87, 2). O mundo pode ter dois significados. O primeiro, para aqueles que levam uma vida virtuosa no século: “É Deus que, em Cristo, reconciliava consigo o mundo” (2Cor. 5, 19). E também pode ter um sentido negativo, dirigido aos que amam o mundo: “O mundo todo jaz sob o Maligno” (1Jo. 5, 19). Assim, o mundo inteiro odeia todo o mundo, porque os que amam o mundo, que estão espalhados por todo o orbe, odeiam o mundo inteiro (isto é, a Igreja dos bons), que se espalhou por todo o planeta. Na continuação, disse outra coisa para dar-lhes consolo, baseado na razão pela qual são odiados. Primeiro expõe por que o mundo ama alguns e, depois, por que o mundo odeia os apóstolos. Se o mundo ama alguns, é porque são como o mundo: “Se fosseis do mundo, o mundo vos amaria como sendo seus” (Jo. 15, 19). Então, o mundo (isto é, os que amam o mundo) ama os que amam o mundo. Por isso, o Senhor disse: “Se fosseis do mundo”, ou seja, seguidores do mundo, “o mundo vos amaria como sendo seus”, porque seriam seus e semelhantes a ele: “Eles são do mundo; é por isto que falam segundo o mundo, e o mundo os ouve” (1Jo. 4, 5). E explica por que o mundo detesta os apóstolos, pois não são como o mundo. Disse: “como não sois do mundo, o mundo vos odeia” (Jo. 15, 19) (Expositio in evangelium beati Ioannis, II pars, cap. 15, lectio 4).

O Catecismo de Baltimore ensina: “Se nos chamam de soldados de Cristo, é para apontar que devemos resistir aos ataques de nossos inimigos espirituais e garantir a nossa vitória sobre eles seguindo e obedecendo Nosso Senhor. Temos motivos de sobra para jamais nos envergonharmos da Fé católica, porque é a Fé tradicional estabelecida por Cristo e transmitida por seus Apóstolos. É a Fé pela qual padeceram e deram a vida inúmeros mártires. A Fé que trouxe ao mundo a verdadeira civilização, com todos os seus benefícios. É a única Fé que pode verdadeiramente reformar e manter a moral pública e privada. É preciso conhecer os mistérios fundamentais da Fé e os deveres do cristão” […] “já que é impossível ser um bom soldado sem conhecer o regimento do exército em cujas filas se combate e entender as ordens de Cristo. A expressão os dias são maus se refere à época em que vivemos, rodeados pelos quatro cantos de incredulidade, doutrinas falsas, maus exemplos e tentações de todo tipo” (parte 3, lição 15).

No tempo dos Padres da Igreja, os cristãos tinham consciência de que eram soldados espirituais de Cristo e combatiam pela Verdade, colocando em risco a própria vida. Tertuliano escreveu: “Convocaram-nos para a guerra do Deus vivo a partir do momento em que respondemos conforme as palavras do Sacramento, isto é, quando pronunciamos o voto batismal de obediência a Cristo” (Mart. 3, 1). Por sua vez, São Cirilo de Jerusalém disse aos catecúmenos: “Os haveis incorporado às fileiras do Grande Rei” (Catech. 3, 3).

O dever cristão de combater o pecado, os erros e as tentações do mundo incluía combater os erros internos da Igreja, ou seja, toda heresia e ambiguidade doutrinal.

Santo Inácio de Loyola é um dos mestres mais eloquentes da verdade da Igreja militante combativa. No livro dos seus Exercícios espirituais, disse: “Considera a guerra que Cristo veio trazer do Céu à Terra”. As pessoas são formadas com a ideia de que Nosso Senhor Jesus Cristo veio trazer a paz. Mas, com toda naturalidade, Santo Inácio começa a meditação dizendo: “Considera a guerra que Cristo veio trazer do Céu à Terra”.

Um verdadeiro cavaleiro espiritual católico do século XX foi Plínio Corrêa de Oliveira, o leigo brasileiro que dedicou a sua vida a defender a Santa Mãe Igreja dos ataques espirituais e das infiltrações do espírito anticristão da Revolução, o Modernismo e o Comunismo. Ele afirmou: “Todo homem nasce soldado, embora nem todo soldado utilize as suas armas. Com efeito, todos os homens nascem soldados, porque, como diz a Escritura, Militia est vita hominis super terram (“A vida do homem sobre a Terra é uma luta”) (Jó. 7, 1). Nossa vida é uma batalha, e é assim como devemos acima de tudo encará-la. É um soldado a partir do momento em que ao nascer vê a luz natural. Mais tarde, com o Batismo, adquire a luz da Graça e nasce pela segunda vez – aqui para a vida sobrenatural, convertendo-se em soldado para defendê-la. E não só isso. A Igreja tem um Sacramento particular com o qual confirma o homem como soldado em toda a extensão da palavra. É o Sacramento da Confirmação. Nem todo soldado faz uso de suas armas no campo de batalha, mas os que o fazem são privilegiados. Como a missão do soldado é combater, quando toma as armas para entrar na batalha, torna-se privilegiado. Imaginemos um pintor que não pinta, um músico que não sabe tocar, um cantor que não sabe cantar, um professor incapaz de dar aula ou um diplomata impedido de se meter em política” (Plínio Corrêa de Oliveira).

“Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei da Igreja Católica, vem nos pedir para que nos juntemos à guerra santa que Ele enfrenta dentro da Igreja contra o progressismo, e dentro do Estado, contra o Comunismo. Chama-nos para lutar e não sermos mansos nem indiferentes nessa contenda, mas lutar com toda a alma”. “Evidentemente, Santo Inácio não fala de progressismo. Como a sua meditação é para todos os tempos, refere-se em sentido geral ao mundo, ao demônio e à carne, que são a causa de todos os erros e em todas as épocas, e que apenas mudam de nome. Na sua época, o erro era o Protestantismo, apoiado por pessoas que se diziam católicas, mas que no fundo eram protestantes que promoviam o protestantismo no interior da Igreja Católica. No âmbito civil, pretendiam eliminar toda desigualdade social e política. Eram precursores da Revolução Francesa” (Plínio Corrêa de Oliveira).

Contamos com declarações impressionantes e muito apropriadas de Pontífices dos tempos modernos sobre o caráter essencialmente combativo da Igreja. Leão XIII ensinou: “Existe uma força inimiga, que por instigação e impulso do espírito do mal, não deixou de lutar com o nome cristão e sempre se associou a alguns homens para juntar e dirigir os esforços destruidores contra as verdades que Deus revelou e, por meio de funestas discórdias, contra a unidade da sociedade cristã. São como legiões dispostas ao ataque, e ninguém ignora o quanto a Igreja sofreu com os seus assaltos ao longo do tempo. Ora, o espírito comum a todas as seitas anteriores que se revoltaram contra as instituições católicas foi revigorado na seita chamada maçônica, que, apaixonada por seu poder e riqueza, não teme alimentar a chama da guerra com uma violência inaudita e levá-la até às coisas mais sagradas” (Leão XIII, Encíclica Inimica vis, 8 de dezembro de 1892).

“Negar-se a combater por Cristo significa lutar contra Ele. Ele mesmo nos garante que negará diante do Seu Pai celestial aqueles que se neguem a confessá-Lo na Terra” (Leão XIII, Encíclica Sapientiae christianae, 43).

“Os inimigos da Igreja têm por objetivo – e não vacilam em proclamá-lo, vangloriando-se muitos dele – a destruição total, como se fosse possível, da religião católica, a única verdadeira. Com tal finalidade, são capazes de tudo, porque sabem muito bem que quanto mais desanimarem os que a eles resistem, mais fácil será realizar o seu plano ímpio. Por isso, os que estimam a prudência da carne e fingem desconhecer que todo cristão tem que ser um valente soldado de Cristo; os que desejam alcançar as recompensas merecidas pelos vencedores, enquanto vivem como covardes sem participar do combate, estão tão longe de frustrar o avanço dos inclinados ao mal que, pelo contrário, até contribuem para fomentá-lo” (ibid., 34).

São Pio X descreve a verdadeira situação do mundo no começo do século XX, afirmando que é sumamente hostil a Cristo e à Sua Verdade: “Na verdade, com semelhante ousadia, com este ultraje da virtude da religião, se desmancha a piedade por todos os cantos, os documentos da fé revelada são impugnados e se pretende direta e obstinadamente separar, destruir qualquer relação entre Deus e o homem. Pelo contrário – este é o sinal próprio do Anticristo, segundo o mesmo Apóstolo -, o próprio homem com temeridade extrema invadiu o domínio de Deus, vangloriando-se acima de tudo aquilo que recebe o nome de Deus; até o ponto em que – embora não seja capaz de apagar dentro de si a noção que tem de Deus -, após recusar a Sua Majestade, consagrou-se a si mesmo este mundo visível como se fosse o seu templo, para que todos o adorem. Ele se sentará no templo de Deus, mostrando-se como se fosse Deus” (2Tes. 2, 2) (Pio X, Encíclica E supremo apostolatus, 4 de outubro de 1903, 4-7). “Em nossa opinião, o exemplo magnífico dos soldados de Cristo tem muito mais valor para conquistar e santificar as almas que as palavras de tratados profundos” (Pio X, Encíclica Editae saepe, 26 de maio de 1910, 4).

Pio XI nos ensina: “Os incrédulos e os inimigos da fé católica, cegos pela presunção, podem com certeza renovar constantemente os seus ataques contra todo aquele que se declara cristão, mas ao arrancar da Igreja militante aqueles que matam, convertem-se em instrumento do seu martírio e de sua glória celestial. Não menos bela que certas são estas palavras de São Leão Magno: “A religião de Cristo, fundada no mistério da Cruz, não pode ser vencida por nenhuma forma de crueldade: as perseguições não enfraquecem a Igreja, mas A fortalecem. O campo do Senhor nunca deixa de produzir novas colheitas, enquanto as sementes agitadas pelas tempestades se enraízam e se multiplicam” (Homilia pronunciada durante a canonização de São João Fisher e São Thomas More, 19 de maio de 1935).

O Cardeal Karol Wojtila, futuro Papa João Paulo II, em um discurso por ocasião do Congresso Eucarístico, celebrado na Filadélfia, em 1976, declarou: “Assistimos atualmente ao maior conflito que a humanidade já viveu na sua história. Não creio que a sociedade dos Estados Unidos, nem tampouco a Cristandade em seu conjunto, o percebam completamente. Estamos vivendo o enfrentamento definitivo entre a Igreja e a anti-igreja, o Evangelho e o anti-evangelho, Cristo e o anticristo. Esse conflito entra nos planos da Divina Providência. É, portanto, o plano de Deus, e a Igreja deve aceitar essa prova, enfrentando-a corajosamente”. O Papa João Paulo II apontou as raízes desse conflito: “Este combate contra o Diabo que caracteriza o Arcanjo São Miguel não terminou, porque o Diabo continua vivo e ativo no mundo. E mais, o mal que contém, a desordem que observamos na sociedade, a infidelidade do homem, a fragmentação interna da qual é vítima, não são meras consequências do pecado original, mas também o efeito das tenebrosas e contagiosas atividades de Satanás, sabotador do equilíbrio moral do homem” (Discurso pronunciado em 24 de maio de 1987, no monte Gargano).

Bento XVI falou da necessidade de combater o mal em nosso tempo: “Hoje a palavra Ecclesia militans está fora de moda; mas na realidade podemos entender cada vez melhor que é verdadeira, contém verdade. Vemos como o mal quer dominar no mundo e é necessário travar uma luta contra o mal. Vemos como o faz de tantas maneiras, cruentas, com as distintas formas de violência, mas também disfarçado de bem e, precisamente assim, destruindo os fundamentos morais da sociedade. Santo Agostinho disse que toda a história é uma luta entre dois amores: amor a si mesmo até o desprezo de Deus; amor a Deus até o desprezo de si mesmo, no martírio. Nós estamos nessa luta” (Palavras do Santo Padre aos Cardeais, 2 de maio de 2011).

Temos um texto impressionante do século III, e que faz uma fervorosa exortação a sermos a todo momento bons soldados de Cristo: “Considerai bem o que vos digo: Quando Cristo tem necessidade da vossa ajuda? Agora, em que o Maligno declarou guerra contra a Sua Esposa, ou nos tempos futuros, em que Cristo reinará vitorioso sem necessidade de mais assistência? Por acaso não é evidente, até para o que tem um menor entendimento, que é agora que Ele precisa dela? Então, apressai-vos de boa vontade diante da necessidade presente de travar a batalha do lado deste bom Rei, que se caracteriza por conceder generosas recompensas após o combate” (Epístola de Clemente a Jacobo, 4).

Nossas armas são as da justiça, que são antes de tudo as armas da oração e de uma vida de santidade, as armas do auxílio espiritual dos santos anjos, as armas da ciência sagrada, da apologética, dos justos e francos protestos individuais e coletivos contra a descristianização e a degradação moral da sociedade.

Necessitamos com urgência de um novo Enchiridion militia christianae, manual do combate espiritual cristão, escrito pelo humanista Erasmo de Roterdã, no princípio do século XVI. Necessitamos de uma nova apologética intitulada Triunfo da Santa Sé e da Igreja diante dos ataques dos inovadores, livro que escreveria o Papa Gregório XVI, em 1799, em meio aos ataques maçônicos da Revolução Francesa contra a Igreja.

Já em 1946 o Papa Pio XII fez uma análise muito acertada e realista sobre a situação espiritual do mundo e da Igreja em nosso tempo: “O objetivo com o qual o adversário dirige hoje os seus ataques, abertos ou sutilmente, já não é, como costumava ser até agora, um ponto concreto da doutrina ou da disciplina, mas todo o conjunto da fé e da moral cristã até as últimas consequências. Dito de outro modo: trata-se de um assalto total; de um sim categórico ou um não definitivo. Em tais circunstâncias, o verdadeiro católico deve se manter mais firme sobre o terreno de sua fé e demonstrá-la na prática” (Discurso aos jovens da Ação Católica da Itália, 20 de abril de 1946).

Devemos ao beato John Henry Newman esta animadora declaração sobre o triunfo da Igreja na batalha contra o mal e o mundo: “Não há nada de novo na Igreja que, em tempos de confusão e ansiedade, quando abundam os escândalos e o inimigo está à porta, seus filhos, longe de se abaterem, melhor, glorificam-se no perigo, como se alegram os valentes nos desafios que colocam à prova a sua força; não tem nada de novo, digo, que empreendam a sua tarefa como se estivessem nos tempos de maior prosperidade. […] A evocação do passado nos faz prever o sucesso. Nossos estandartes portam os nomes de numerosos campos de batalha que nos encheram de glória. Somos fortes na fortaleza de nossos predecessores, e com a nossa humilde capacidade, queremos fazer o que fizeram os santos que nos antecederam. […] Não nos falta o caráter heroico para encarar estes tempos e olhá-los com desdém; porque somos católicos. Contamos com dezoito séculos de experiência. […] Uma ou duas, ou uma dezena de derrotas, se a tivermos, não serão suficientes para acabar com a grandiosidade de chamar-se católico” (Discursos diante de congregações mistas, 12).

Como soldado de Cristo, todo católico deve estar sempre ciente de que combate do lado vencedor, porque Christus vincit, e como expressou com grande precisão São João Crisóstomo: “Mais fácil é apagar o sol que destruir a Igreja” (Hom. In Is. 7). Tenhamos ânimo e valor na santa batalha que travamos por Nosso Senhor e Sua Igreja nos tenebrosos e tempestuosos tempos em que vivemos com esta exortação, também de São João Crisóstomo: “Ninguém pode separar o que Deus uniu. Sim, falando de marido e mulher, disse: ‘Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher; e os dois formarão uma só carne. O que Deus uniu, o homem não separe’ (Mt. 19, 5-6). Se o matrimônio não pode ser dissolvido, muito menos se poderá desfazer a Igreja de Deus. Ela poderá ser combatida, mas não será possível danificar o objeto dos ataques. E, embora me faças mais ilustre, te debilitas combatendo-me. É duro para ti resistir contra o agudo aguilhão. Não lhe embotas o fio, mas te ensanguentas os pés. As ondas não quebram a rocha; elas se dissolvem em espuma. Nada é mais poderoso que a Igreja; deixa de combatê-la, não podes vencê-La. Não traves combate contra o Céu. Se lutas contra um homem, ou tu vences ou ele te vence. Mas, se combates a Igreja, não poderás triunfar. Porque Deus pode mais que todos. ‘Ou queremos provocar a ira do Senhor? Acaso somos mais fortes do que Ele?’ (1Cor. 10, 22). Quem se atreverá a subverter a ordem que Deus estabeleceu? Não conheceis o seu poder. Ele olha para a Terra e a faz estremecer. Dá a ordem, e o que balançava fica firme. ‘O Céu e a Terra passarão, mas as Minhas palavras não passarão’ (Mt. 24, 35) Que palavras? ‘Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela’ (Mt. 16, 18). Se não confias nas palavras, confia nos fatos. Quantos tiranos tentaram dominar a Igreja! Quantas grades, fornalhas, presas de feras e espadas afiadas tentaram! E os opressores? Estão sepultados no silêncio e no esquecimento. E onde está a Igreja? Resplandece mais que o sol. As obras deles acabaram; as da Igreja são imortais. Pois bem, se sendo tão poucos não puderam nos dominar, como tu vencerás agora que o mundo está cheio do serviço a Deus? ‘O Céu e a Terra passarão, mas as Minhas palavras não passarão’ (Mt. 24, 35)” (Homilia ante exilium, 1-2).

Conforme o rito tradicional da Igreja Católica Romana, no santo Batismo faz-se em nós sete vezes o sinal da cruz, para que recordemos sempre que o cristianismo está inseparavelmente ligado à Cruz de Nosso Senhor, e a fim de que esteja protegido espiritualmente e possa viver uma vida de santo combate por Ele com o sinal invisível de Sua Cruz. Faz-se a cruz na testa para que aceitemos a cruz do Senhor; faz-se nos ouvidos para que escutemos os preceitos divinos; nos olhos, para vejamos a claridade de Deus; no nariz, para que percebamos a grata fragrância de Cristo; na boca, para que falemos palavras de vida; no peito, para que creiamos em Deus; e nos ombros para que assumamos o jugo do serviço a Cristo.

A maior ajuda com que podemos contar em nossa vida pessoal como soldados de Cristo, assim como toda a Igreja militante, está na bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus. Ela é vencedora em todas as batalhas do Senhor. Dirijamo-nos a Ela para pedir-Lhe:

Rainha augusta dos Céus, soberana dos anjos: a Ti que no princípio recebestes de Deus o poder e a missão de esmagar a cabeça de Satanás, te suplicamos humildemente que envies as legiões de santos anjos para que, sob as tuas ordens e com o teu poder, localizem os demônios, combatam-nos por todas as partes, coloquem freio em sua ousadia e os precipitem no abismo. Quem como Deus? Mãe boa e terna, sempre terás o nosso amor e esperança. Mãe de Deus, envia os santos anjos e os arcanjos para que me defendam e mantenham o cruel inimigo longe de mim. Santos anjos e arcanjos, guardai-nos e protegei-nos. Amém.

(Conferência dada no Roma Life Forum, 17 de maio de 2018).