Fátima: o retorno da Virgem

Nossa Senhora aparece pela sétima vez em Fátima. Raymundo Lopes recebe ainda uma visão, cujo relato deve chegar ao Vaticano através do bispo de Leiria e do cardeal de Belo Horizonte. “Não fizeram o que pedi aqui. O que Deus permitiu à pastora Lúcia ver e relatar ainda não se cumpriu”.

25 de julho de 2000 

Naquele dia, 25 de julho de 2000, marcado pelo retorno de Nossa Senhora depois de 1260 dias (três anos e meio) de afastamento1, não me foi possível escrever detalhadamente a visão que tive em Fátima, na Cova da Iria. O tempo de que dispunha era escasso, pois para atender o pedido de Nossa Senhora deveria entregar um relato ao bispo de Leiria2 imediatamente, já que na manhã do dia seguinte eu retornaria ao Brasil. Por isso escrevi um relato de forma sucinta, entregando-o no mesmo dia àquele bispo e no dia 31 de julho ao cardeal de Belo Horizonte3.

Eram doze horas, ou treze horas no horário de verão, em Portugal. Na Capela das Aparições, em Fátima, acompanhado de um grande número de missionários, eu aguardava ansiosamente o retorno da Virgem Maria, quando percebi na frente do altar o “garoto” que se intitulava Anjo de Portugal e do Brasil, aquele que no dia 1º de junho de 1998, naquele mesmo local, me havia falado da volta da Mãe de Deus: a sua sétima aparição em Fátima.

Por algum tempo, o anjo permaneceu ali enquanto era celebrada uma Missa, determinada pelo reitor do Santuário4 visando à dispersão dos que aguardavam aquele histórico momento. Depois, ao final da Santa Missa, no instante em que o celebrante dava a benção final, senti uma leve brisa roçar a minha cabeça, e vi no céu um clarão como de um relâmpago. Olhei para ver o que era, e quando voltei os olhos para o altar, o anjinho tinha sumido, e no seu lugar estava Nossa Senhora, toda de branco, tendo nas mãos quatro rosas douradas, duas em cada mão.

Ela deixou cair as rosas, e ao caírem, vi surgir delas uma cena impressionante. Um lugar enorme, contornado por algumas construções que pareciam grandes casas de dois ou mais andares e muitas janelas. No meio dessa área aparecia uma imensa e impressionante ruína de um prédio. Entre os escombros havia pedaços de colunas e estátuas quebradas. O céu era de um alaranjado meio arroxeado, com um fundo quase vermelho.

Sobre essa ruína, o que mais me chamou atenção foi um globo de um azul intenso, no qual se via encravada uma cruz tosca e torta, lembrando a cruz que o papa João Paulo II carrega no seu báculo, mas ela parecia estar suja e enferrujada, e com um detalhe: faltava nela a figura de Jesus crucificado. Dos pés dessa cruz pendia um pano branco. Dos escombros saía uma fumaça densa em alguns pontos e rarefeita em outros. Parecia ser o resultado de um imenso incêndio recém-apagado.

De repente, do vermelho-alaranjado do céu, vi surgir quatro formas humanas que, aproximando-se, ficaram de pé sobre a ruína. Eram quatro rapazes esbeltos, aparentando entre dezoito e vinte anos, vestidos com uma túnica muito branca. Tinham cabelos pretos e pesados, aparados à altura do ombro. De seus olhos saía uma luz ofuscante, fazendo-os parecer ora azuis, ora verdes, ora castanhos. Mas eram olhares distantes, indiferentes à devastação do ambiente, como se aquilo não fizesse parte da realidade deles. Às vezes levantavam levemente a túnica, deixando ver os pés descalços. A fumaça da ruína não investia sobre eles.

Subitamente, do mesmo lugar de onde vieram, surgiram quatro pontos brilhantes que, dirigindo-se a eles, foram crescendo até formarem enormes bolas douradas, como se fossem quatro vasilhas com uma pequena abertura. Aproximando-se dos rapazes, elas interromperam bruscamente a sua trajetória, posicionando-se à direita dos seus pés. Eles então fixaram o olhar nelas. Nisso elas se partiram, e delas saíram formas de animais e uma figura humana, que destoavam da paisagem por estarem sem cor. Alguns pedaços das vasilhas partidas avançaram com ímpeto sobre as ruínas.

Da primeira vasilha partida, da esquerda para a direita, vi sair um boi sem manchas e sem chifres. Ele cambaleava trôpego sobre as ruínas, caía a todo instante, parecendo estar ferido em uma das patas.

Da vasilha seguinte, enrolando-se nela, surgiu um enorme pássaro negro. Suas asas entrelaçavam-se, suas penas pareciam estar sujas e pesadas. Com dificuldade se desvencilhou da vasilha, e a muito custo levantou voo e ficou pairando sobre as ruínas.

Da terceira vasilha, já quebrada, vi uma figura humana parecendo estar desmaiada e ferida. Com dificuldade se pôs de pé. Não estava vestida. Era como uma sombra branca, com pouca definição de contornos e detalhes, mas era inegavelmente um ser humano. Com muita dificuldade procurava caminhar sobre as ruínas, caindo a todo instante.

Da quarta vasilha saiu um leão enorme. Parecia cansado e doente. Seu pelo era limpo e incrivelmente brilhante. Ele caminhou com dificuldade e cabisbaixo. Sua majestosa juba movimentava-se com o seu caminhar, por vezes cobrindo-lhe a cabeça. Depois, posicionou-se embaixo do pássaro que pairava no ar e ficou olhando para ele.

Os dois animais, o enorme pássaro e a figura humana ficaram próximos a uma pessoa vestida de branco, sentada no que parecia ser o resto de uma poltrona dourada, cujo braço terminava num desenho de um animal, ou de uma criança. Esse senhor parecia sofrer horrivelmente. Apesar da sua túnica folgada e bonita, com um caimento magnífico e que mais parecia linho, ele gemia, pois um cinto largo e negro na sua cintura parecia incomodá-lo. Tentava tirá-lo, mas não conseguia. Não vi o seu rosto, pois estava de costas, com a cabeça ligeiramente voltada para os rapazes ao fundo, mas percebi que tinha cabelos brancos e ralos.

De repente, ouvi um grito, entre soluços, vindo dessa pessoa:

– Senhor, não fiz o que me pediu!… Perdão, meu Deus!… Perdão, meu Deus!…

Naquele momento formou-se um redemoinho entre as ruínas. Uma espessa coluna de fumaça começou a tomar forma de uma pessoa completamente sem definição. Era como se houvesse alguém escondido dentro dessa coluna de fumaça. E dela saiu uma mão negra, grande e nodosa, parecendo mão de pessoa idosa, que começou a apanhar algumas pedras, das quais saía fumaça, e tentava colocá-las umas sobre as outras.

Nossa Senhora então me disse:

– Esta visão que Deus lhe permite, deverá escrever e estar nas mãos dos dois Serafins, o senhor bispo de Leiria e o senhor cardeal de Belo Horizonte, sem mais tardar. Guarde reservas sobre ela até o dia 15 de outubro deste ano. É o prazo que o Senhor Deus fornece a esses bispos para que isto chegue ao Vaticano. O que vou lhe relatar agora poderá ser dito de imediato. Não fizeram o que pedi aqui. O que Deus permitiu à pastora Lúcia ver e relatar ainda não se cumpriu. É urgente e necessário que o corpo clerical da Igreja promova uma consagração do mundo ao meu Coração Imaculado, pois existe um pequeno tempo para que essas coisas possam ser modificadas antes de se cumprirem. Se fizerem o que peço, muita coisa será atenuada. Entretanto, tempos sombrios para a Igreja virão. Pela vontade da Divina Misericórdia, devo proteger a Igreja na América Latina, em especial no Brasil, e na Europa, Portugal, para que não caiam no pecado da apostasia e possam dar ao mundo o exemplo de fé. Esse reitor5 me causará num futuro próximo grandes aborrecimentos.

Eu perguntei à Virgem Maria o que significava aquela cena.

– Não cabe a você discernir sobre isto; entregue a esses bispos o que irá escrever – Ela respondeu.

Depois, Ela me pediu que trouxesse a sua imagem que se encontrava entre os missionários presentes. Colocaram-na então nas minhas mãos, e sob o olhar de Nossa Senhora a imagem ficou envolta numa luz alaranjada.

Retorno da Virgem_Fátima

Em seguida, comecei a sentir de novo uma leve brisa no meu rosto. Nossa Senhora começou a se afastar no firmamento, e não vi mais nada.

 

1 Nossa Senhora ficou afastada de suas manifestações na Terra de 11/02/1997 a 25/07/2000.

2 Dom Serafim.

3 Também Dom Serafim.

4 Padre Luciano Guerra.

5 Referência ao reitor do Santuário de Fátima, padre Luciano Guerra.

 

Referência: LOPES, Raymundo. Fátima: O Retorno da Virgem. In: LEMBI, Francisco. O Terceiro Segredo: A Vinda de Jesus. Belo Horizonte: Magnificat, 2005. p. 89-93.

Você também pode gostar: